Por dentro do Museu Imperial


Silvio Tendler encerra 1ª Mostra de Cinema e História do Museu Imperial*
Karl Schurster e Silvio Tendler no debate durante a Mostra

Na noite da última quinta-feira, 22 de setembro, o cineasta Silvio Tendler foi aplaudido de pé pelo público da 1ª Mostra de Cinema e História do Museu Imperial. Na ocasião, foi exibido seu documentário “Utopia e Barbárie” (2010), seguida de um encontro com Tendler, no qual ele conversou com os participantes sobre seus filmes e sobre a relação entre Cinema e História.

“Utopia e Barbárie” apresenta um panorama desde o pós-Segunda Guerra Mundial até os dias de hoje, período marcado por revoluções e ideologias, mas também por violências e ditaduras. No filme, são abordadas questões como Hiroshima, o Holocausto, as revoluções socialistas e as ditaduras na América Latina, entre outras.

Um dos aspectos interessantes do documentário é o fato de ser narrado em primeira pessoa. Segundo o próprio Tendler, isso constituiu em um desafio. “Eu sempre quis fazer filmes históricos, mas não com uma história abstrata, e sim ancorada em personagens. Então, foquei em presidentes da República, o que foi o caso dos filmes sobre Juscelino Kubistchek e Jango. Em seguida, saí dos presidentes, mas continuei com personagens, como o cineasta Glauber Rocha e o geógrafo Milton Santos. Em Utopia e Barbárie, eu não tinha um personagem para ancorar a história, então, pela primeira vez, tive a coragem de me colocar como personagem e contar a história em primeira pessoa”, explicou.

O cineasta, que também é historiador, ressaltou a importância dessa relação entre Cinema e História, que pautou sua carreira. “Cinema e História sempre foram minhas duas paixões. Então, percebi que a História brasileira pode resultar em ótimos filmes”.

O mediador do debate, o historiador e professor Karl Schurster, concordou e destacou que “a relação do Cinema com a História é a de uma arte que veio alertar a História sobre como ela sempre foi conservadora. O cinema foi um alerta de que História é movimento”.

Encerrando a noite, o diretor do Museu Imperial, Maurício Vicente Ferreira Júnior, falou sobre a importância das discussões levantadas ao longo da Mostra. “Para alguns, pode parecer estranho que o Museu Imperial, que tem como atribuição regimental tratar de um certo período histórico, abrigue uma mostra de cinema que trata de questões contemporâneas. Mas é preciso lembrar que o imperador d. Pedro II levantou questões sociais que não estão resolvidas ainda hoje”, lembrou. “O Museu é um local de preservar a memória, mas também de projeção para o futuro. Estamos trabalhando no sentido de transformação, de construir algo melhor”.

A 1ª Mostra de Cinema e História do Museu Imperial foi realizada de 20 a 22 de setembro, com exibições de filmes, palestras, debates e encontros com cineastas. O evento fez parte da programação da 5ª Primavera dos Museus, que vai até domingo com atividades em museus de todo o país.

*Texto: Assessoria de Imprensa do Museu Imperial
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