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Perfil/ Rogério Rauber

Rogério Rauber e o Bagaço da Pintura
por chandra santos
Rogério Rauber | Foto de Ana Biolchini

O artista visual Rogério Rauber nasceu em Taquara, no Rio Grande do Sul, em 1960. Desde criança, desenhava e lia sobre arte, tomando contato com obras por reproduções e em livros. 
"A literatura disponível era restrita à biografia dos artistas, mas já pude suspeitar o quanto do trabalho dos que eram chamados "grandes mestres" ou "gênios" havia sido desenvolvido não só graças a dons especiais, mas, principalmente, graças a uma enorme persistência no estudo e na pesquisa. Na minha cidade, no interior do Rio Grande do Sul, era quase nulo o contato com obras de arte. Isso só veio a acontecer a partir da adolescência, quando comecei a frequentar museus, galerias e exposições em Porto Alegre", relembra Rogério, que ingressou na profissão aos 15 anos. "Na adolescência, movido por ideais de autoconhecimento, que só mais tarde me dei conta do quanto eram fantasiosos, é que determinei que a prática e a pesquisa seriam constantes e intensos. Aos 17 participei da minha primeira coletiva."



Hoje, artista visual e professor, ele reflete sobre o papel da arte no drama humano: 
"Como professor, eu parto do princípio que todas as pessoas podem e devem desenvolver seu potencial artístico. Quanto à esta questão de nascer ou não com talento... isso é usado muitas vezes como desculpa para as pessoas desistirem quando se deparam com o enorme caminho, ora gratificante, ora tortuoso, que é o  desenvolvimento de um trabalho artístico. Pois arte não depende de dons especiais. É uma atividade inerente à (e fundadora da) própria condição humana. A arte está essencialmente inserida na nossa caminhada histórica coletiva e no nosso dia-a-dia, muito mais do que normalmente supomos. E tem um papel insubstituível na nossa saúde física e mental. Da mesma forma, a arte está ligada à nossa atividade cotidiana, seja ela qual for. Pois mesmo o profissional que se imagina mais distante de uma atividade artística pode (e até precisa, por responsabilidade com sua atuação) se beneficiar com o conhecimento artístico, já que este conhecimento gera soluções inesperadas para as mais diversas questões."



Formado em arquitetura na Unisinos (RS), Rogério exerceu a profissão e chegou também a trabalhar no mercado editorial como designer gráfico. Atualmente, o artista está envolvido no projeto "O Bagaço da Pintura", além de pesquisar vídeo e outras linguagens, onde procura responder a perguntas reincidentes na história da arte.
"Desenvolvo este trabalho (O Bagaço da Pintura) há 7 anos, a partir de um ponto de saturação com o qual me confrontei na labuta pictórica. Minha pesquisa ironiza as recorrentes alegações da suposta "morte da pintura" e reafirma a pertinência e atualidade desta linguagem. Primeiro, através de tensões no espaço, "espremendo" (metaforicamente, claro) o suporte (madeira do chassi e tecido da tela) e extraindo o 'suco' (também metafórico) de cuja operação resulta o 'bagaço' (fios e pedaços de vários materiais amalgamados por tinta acrílica, numa construção "in loco"). Segundo, através de tensões no tempo, criando estratégias de contínuas reconfigurações que vão da grade (raízes históricas) à reciclagem (pauta contemporânea)."
Rauber tem uma visão otimista em relação a arte contemporânea: 
"Fazer arte é uma das coisas que nos torna humanos. Porque arte foi e sempre será um campo de conhecimento estratégico para nosso desenvolvimento individual e coletivo, ainda que, aparentemente, não sirva para nada. Atualmente, a arte renova nossa condição de espanto frente a uma realidade que nos desafia mais e mais, dada a abundância de informações disponíveis, com novas descobertas a cada fração de segundo. Nossa percepção tende a querer se acomodar entre fronteiras, porém a arte nos instrumentaliza poeticamente para transpô-las. Por isso, a arte é o antídoto contra uma das maiores ameaças às conquistas da contemporaneidade, o fundamentalismo (não só o religioso, mas em todas as suas variantes)."
Para conhecer algumas pesquisas em vídeo e outros trabalhos do artista, clique aqui

Para ver obras da série "O Bagaço da Pintura", acesse:

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